Glossário de termos científicos
A
Abordagem sindrómica: abordagem médica baseada na análise de uma síndrome (ou seja, um conjunto de sintomas e/ou sinais clínicos), que utiliza um único teste para identificar o(s) microrganismo(s) responsável(is) pela doença associada a essa síndrome, sejam vírus, bactérias, fungos ou parasitas.
Ácido nucleico: molécula natural presente em cada célula. Possui a capacidade de armazenar e transmitir instruções hereditárias codificadas, permitindo o desenvolvimento de um organismo. Existem dois tipos de ácidos nucleicos: ADN e ARN.
ADN (DNA): sigla de “ácido desoxirribonucleico”. Estes nucleótidos são constituídos por um açúcar (desoxirribose), um grupo fosfato e uma das seguintes bases azotadas: adenina (A), citosina (C), guanina (G) ou timina (T), e funcionam como suporte da informação genética.
Amplificação: técnica, geralmente baseada em enzimas, que permite multiplicar os ácidos nucleicos para aumentar a sensibilidade dos métodos de deteção.
Antibiótico: substância de origem natural ou sintética com capacidade de impedir a multiplicação das bactérias.
Anticorpos: moléculas produzidas pelo sistema imunitário para detetar e neutralizar agentes patogénicos, particularmente vírus.
Antigénio: substância estranha a um organismo que provoca a produção de anticorpos (reação imunitária).
ARN (RNA): sigla de “ácido ribonucleico”. Polímero semelhante ao ADN que, tal como este, desempenha um papel como vetor de informação genética. O açúcar presente no ARN é a ribose.
Artrite reumatoide: a forma mais frequente de reumatismo inflamatório crónico. A sua causa não é totalmente conhecida, mas trata-se de uma doença autoimune (o organismo produz anticorpos contra os seus próprios tecidos).
B
Bactéria: microrganismos unicelulares sem clorofila e visíveis apenas ao microscópio. As bactérias são elementos que não pertencem ao reino vegetal nem ao reino animal.
Bactérias comensais: a pele e as mucosas são permanentemente colonizadas por bactérias comensais que não causam doença, a menos que o indivíduo se torne vulnerável.
Bactérias multirresistentes: diz-se que uma bactéria é multirresistente aos antibióticos quando, devido à acumulação de resistências naturais e adquiridas, ela é sensível apenas a um número reduzido de antibióticos que são habitualmente eficazes em terapêutica.
Bacteriófagos: vírus altamente específicos que infetam apenas bactérias. São utilizados para a captura dirigida de bactérias e para as isolar de uma amostra.
Beta-lactamase de espectro alargado: as beta-lactamases são uma família de enzimas responsáveis pela resistência das bactérias a certos antibióticos, como a penicilina.
Biologia molecular: método que permite a deteção de uma bactéria, um vírus, uma levedura, um parasita ou um biomarcador através da presença de sequências genéticas de ADN ou ARN numa amostra.
Biomarcador / marcador: qualquer indicador (ácido nucleico, enzima, metabolito ou outros tipos de moléculas — histamina, hormona, proteína, etc.) presente no organismo ou por ele excretado, como resposta biológica a um estado fisiológico ou patológico. Um biomarcador pode permitir identificar a presença, o efeito e/ou a medição de fenómenos específicos, tais como: a deteção rápida ou precoce de uma doença, antes dos primeiros sintomas; a progressão de uma doença; o impacto de um medicamento ou de um tratamento.
Bioquímica: ciência que estuda a correlação entre a estrutura das moléculas naturais e as consequências na sua atividade.
C
Campylobacter: um género de bactérias Gram-negativas que pode causar intoxicação alimentar.
Candida albicans: a espécie de levedura mais importante e mais conhecida do género Candida. Provoca infeções (candidíases), principalmente nas mucosas digestiva e vaginal.
Carbapenemases: enzimas do tipo beta‑lactamase que hidrolisam os carbapenemes, uma classe de antibióticos de largo espectro, utilizada principalmente no tratamento de infeções bacterianas multirresistentes.
Citologia (ou biologia celular): área da biologia dedicada ao estudo das células e dos seus organelos, dos processos vitais que nelas ocorrem, bem como dos mecanismos que permitem a sua sobrevivência (reprodução, metabolism).
Citomegalovírus: vírus responsável por infeções geralmente não detetadas. Torna-se patogénico sobretudo em doentes com defesas imunitárias debilitadas. Pertence à família dos herpesvírus, que inclui, entre outros, o vírus herpes simplex (HSV) ou herpesvírus humano (HVH), o citomegalovírus (CMV), o vírus da varicela-zóster (VZV) e o vírus de Epstein-Barr (EBV).
Citometria: contagem de células.
Citometria de fluxo: técnica que consiste em fazer passar um fluxo de células, partículas ou moléculas a alta velocidade através de um feixe laser. A luz reemitida (por difusão ou fluorescência) permite classificar e separar a população segundo vários critérios.
Coloração de Gram: método de coloração que revela as propriedades da parede bacteriana, permitindo distinguir e classificar as bactérias. A principal distinção é feita entre bactérias Gram-positivas e Gram-negativas.
Consumível: acessório de utilização única, geralmente utilizado num instrumento de análise.
Contaminante: substância presente onde não deveria estar.
Corynebacterium: um género de bactérias que inclui numerosas espécies de bacilos Gram-positivos que constituem uma grande parte da flora da pele e das mucosas.
Cromogénio: molécula que produz uma cor em determinadas condições. Quando incorporada num meio de cultura, revela a presença de uma enzima específica de uma determinada bactéria, identificando assim a bactéria que está a ser cultivada.
D
Diagnóstico in vitro: análise de amostras biológicas (urina, sangue, etc.) realizada fora do corpo humano.
Diagnóstico in vivo: testes ou estudos realizados num organismo vivo.
E
Embolia pulmonar: obstrução de um dos ramos da artéria pulmonar, ou da própria artéria pulmonar, por um coágulo sanguíneo.
Endotoxina: componente da membrana externa de certas bactérias Gram-negativas que pode provocar febres elevadas.
Enterobactérias: família de bacilos (bactérias) identificados por coloração de Gram-negativa, que podem ser aeróbios ou anaeróbios (capazes de viver e reproduzir-se com ou sem oxigénio).
Enterococcus: bactéria de forma oval do grupo D da família dos estreptococos, normalmente presente no intestino de indivíduos saudáveis.
Enumeração: contagem do número de microrganismos (bactérias ou fungos) presentes numa amostra.
Enzima: macromolécula proteica que altera ou acelera uma reação bioquímica.
Espectrometria de massa: técnica utilizada para identificar uma molécula e determinar a sua estrutura química, analisando a massa e a carga dos seus iões.
Extração: termo aplicado às etapas que permitem extrair os ácidos nucleicos das células que os contêm e processá-los para que possam ser utilizados em técnicas de biologia molecular, como a amplificação.
F
Fúngico: relativo aos fungos.
G
Genotipagem: determinação do conjunto de genes presentes nas células de um organismo.
H
Histologia: estudo dos tecidos com o objetivo de analisar a sua composição, estrutura, renovação e as trocas celulares que ocorrem entre eles.
HLA (Antigénios Leucocitários Humanos): sigla de “Human Leukocyte Antigens”; antigénios de histocompatibilidade cujo papel é essencial na tolerância aos transplantes de órgãos e que são específicos de cada indivíduo.
I
Imunoensaio: teste diagnóstico baseado numa reação antigénio/anticorpo, que permite a deteção de agentes infecciosos (bactérias, vírus, parasitas) e de marcadores patogénicos.
Infeção associada aos cuidados de saúde: infeção que os doentes adquirem durante a prestação de cuidados de saúde para outras condições, no contexto de um hospital ou de outra unidade de saúde (або doença contraída num hospital por um doente que não a apresentava no momento da admissão).
IVD: abreviatura de diagnóstico in vitro.
L
Listeria: género de bactérias que pode causar listeriose, uma doença infeciosa potencialmente grave em recém-nascidos, mulheres grávidas ou indivíduos com baixa resistência.
M
Marcador: reagente utilizado para detetar a substância à qual está ligado. Um marcador biológico (biomarcador) é uma substância analisada para auxiliar no diagnóstico de uma patologia.
Meticilina: penicilina semissintética utilizada principalmente contra Staphylococcus aureus não resistente.
Micobactérias: bactérias em forma de bacilos. Algumas espécies são patogénicas: M. leprae, responsável pela lepra, e M. tuberculosis, responsável pela tuberculose.
Microbiologia: estudo dos microrganismos. No domínio do diagnóstico in vitro: a cultura de amostras biológicas, alimentares e farmacêuticas em meios de crescimento permite a multiplicação de quaisquer bactérias presentes. As bactérias são posteriormente identificadas e, em certos casos, é testada a sua suscetibilidade a antibióticos.
Microrganismo: organismo vivo de dimensão microscópica.
MRSA: bactéria Staphylococcus aureus resistente à meticilina.
Multiplex: capacidade de transmitir múltiplos dados num único meio físico.
O
Oncologia (ou cancerologia): especialidade médica dedicada ao estudo, diagnóstico e tratamento dos cancros.
P
Parasita: organismo que se alimenta, vive ou se reproduz estabelecendo uma interação duradoura com outro organismo (o hospedeiro).
Patogénio: microrganismo que causa ou pode causar uma doença infeciosa.
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): tecnologia de biologia molecular para amplificação in vitro de sequências genéticas, utilizada para copiar sequências conhecidas de ADN ou ARN em grandes quantidades (da ordem de milhares de milhões) a partir de uma quantidade inicial reduzida. Esta tecnologia é particularmente útil para a deteção da presença de vírus.
PCT (Procalcitonina): marcador precoce e específico do hospedeiro de infeção bacteriana, útil para orientar a prescrição de antimicrobianos.
POC (Point-of-Care) / POCT (Testes no Local de Prestação de Cuidados): serviços realizados “à cabeceira do doente”, incluindo, em particular, análises de diagnóstico.
Polímero funcionalizado: macromolécula orgânica ou inorgânica formada por uma cadeia de unidades repetitivas à qual são ligados grupos químicos com o objetivo de conferir uma função específica à macromolécula.
Proteína: constituinte fundamental de todas as células vivas. Trata-se de uma macromolécula biológica composta por uma ou mais cadeias de aminoácidos ligadas por ligações peptídicas.
Proteína recombinante de fago: proteína da cauda de bacteriófago obtida por um processo biológico.
S
Sépsis: infeção sistémica grave caracterizada pela presença de bactérias, fungos, vírus ou parasitas no sangue, associada a uma reação inflamatória do sistema imunitário (resposta do hospedeiro), que pode provocar uma rápida deterioração do estado geral do doente e levar a falência de órgãos.
Septicemia: infeção sistémica grave do organismo por microrganismos patogénicos, evidenciada pela presença de microrganismos no sangue.
Staphylococcus: género de bactérias Gram-positivas, geralmente observadas em agrupamentos que se assemelham a cachos de uvas.
Substrato: molécula utilizada como produto inicial que se liga ao sítio ativo de uma enzima e é convertida em um ou mais produtos.
T
Teranóstica (Theranostics): associação de um teste de diagnóstico a uma terapia. Constitui a base da medicina personalizada.
Teste de suscetibilidade aos antibióticos: análise realizada para determinar a sensibilidade de uma bactéria aos antibióticos e classificá-la como sensível, resistente ou intermédia.
Tipagem: método que pode ajudar a avaliar a compatibilidade entre dois indivíduos, os seus órgãos, tecidos ou sangue. Também é uma técnica utilizada para caracterizar bactérias.
Trombose venosa: formação de um coágulo sanguíneo numa veia. Ocorre geralmente numa veia dos membros inferiores, na perna ou na anca, e raramente nos membros superiores.
V
Vírus: microrganismo infecioso rudimentar, contendo um único tipo de ácido nucleico envolvido por uma cápside proteica, que utiliza os componentes da célula que parasita para sintetizar os seus próprios constituintes. Reproduz-se utilizando apenas o seu material genético.